FUNDADORES DESISTEM DE COMPRAR LEADER, CONTROLADA PELO BTG


A família Gouvêa, fundadora e sócia minoritária da Lojas Leader, varejista controlada pelo banco BTG Pactual, desistiu do plano de recomprar o negócio, após avaliação das condições financeiras e operacionais da empresa, apurou o Valor. A operação é parte dos planos de redução do portfólio do banco, que está vendendo ativos em busca de liquidez. O banco já foi informado da decisão da família no fim de dezembro e precisa buscar rapidamente uma outra saída para a companhia.

Está sendo estudada a contratação de um novo executivo ou consultoria para comandar o negócio, mas primeiro é preciso equacionar a situação financeira da empresa.

Inicialmente, os Gouvêa queriam ter a Leader de volta pagando muito pouco por ela, mas ao reavaliar o negócio entenderam que ele precisa de nova injeção de recursos, e é uma operação de alto risco. O BTG já injetou R$ 150 milhões na Leader apenas no segundo semestre de 2015 para pagar juros bancários e fornecedores, entre outras despesas.

Na avaliação de fontes ouvidas pelo Valor, o BTG precisará fazer sozinho novo aumento de capital na rede, se quiser recuperar o negócio. Os Gouvêa não devem acompanhar esse novo aumento de capital por parte do BTG, caso o banco decida fazê-lo, e deverão ser diluídos – a família também já informou que não irá se opor à diluição. A discussão sobre o valor da empresa impediu a capitalização no ano passado, antes da crise no BTG.

Cálculos de fontes próximas à rede consideram necessidade de aportes de pelos menos mais R$ 300 milhões para dar fôlego maior ao caixa no curto prazo. A Leader, com receita bruta na faixa de R$ 2 bilhões, é avaliada em cerca de R$ 1 bilhão. Tinha R$ 50 milhões em caixa em setembro passado, com soma total de estoques de R$ 225 milhões. Do lado dos passivos, a conta com fornecedores estava em R$ 403 milhões e os empréstimos e financiamentos superava R$ 800 milhões.

Alexandre Vasconcellos, atual presidente da Leader, renunciou ao posto no fim do ano passado, mas se dispôs a fazer a transição. A equipe da Enéas Pestana & Associados, que prestava serviços de consultoria e que indicou Vasconcellos para a função, deixou a Leader há cerca de três semanas, após uma tentativa de reestruturação dos negócios.

Circulam informações no mercado de que o BTG teria analisado a hipótese de um pedido de recuperação judicial da empresa, o que preservaria a Leader e a Seller (rede comprada no Sul do país) e daria alguma tranquilidade para uma nova equipe no comando. Mas essa possibilidade hoje estaria descartada por conta da cessão de recebíveis para um grande banco brasileiro numa renegociação de dívidas, apurou o Valor.

Segundo uma fonte, o advogado Fábio Carvalho, ex-presidente da Casa & Vídeo, com passagem pela consultoria Alvarez & Marsal, seria um nome mencionado para fazer parte de uma nova solução para a rede. Um caminho seria a entrada de Carvalho no capital da Leader, como sócio, e a Alvarez & Marsal, na gestão do negócio. Mas essa decisão ainda não foi tomada. Procurado, o BTG não deu entrevista.

A questão central é que a reorganização da estrutura de capital da Leader hoje é mais urgente do que a sua reestruturação operacional. E uma solução precisa ser tomada logo, considerado o cenário financeiro delicado, que envolve negociações de dívidas com bancos, e o risco de a rede ficar sem comando. A Leader tem uma nota promissória de R$ 310 milhões que venceu em dezembro e está sendo renegociada mês a mês com os bancos credores.

A decisão dos Gouvêa, com 30% da Leader, de não avançar nas negociações foi tomada após verificar que seria preciso um “grande esforço financeiro”, além do previsto, para tentar tirar a empresa da situação em que está hoje. A favor da empresa, pesa a força da marca Leader e a existência de pontos bem localizados, apesar da forte concorrência nas áreas onde atua.

A família considerava que uma intervenção na área comercial, com foco maior nos pontos fortes da Leader (roupas infantis) e da Seller (cama, mesa e banho), ajudaria a levantar o negócio e gerar algum caixa, mas o volume de obrigações fiscais e de pagamento de juros e débitos em atraso verificado levou os sócios a reavaliarem a decisão de compra da empresa.

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